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Impressão

por Luís Naves, em 26.03.15

Celebração do crepúsculo, céu em fogo, telhados de ouro. Foge a luz, voam vaga-lumes efémeros e lá no alto espalham-se brasas de carvão ardente como algodão cor-de-rosa na brisa de Agosto. É a hora dos gatos à solta, paredes-meias com os becos cheios de sombra, das conversas à beira-rio, da melancolia a meia-voz e do tédio fatigado, das pequenas contemplações do universo. A hora dos abraços tenros e do adeus cheio de saudade, a hora irisada dos sofredores e dos melancólicos, mas também das nuvens de fumo que dançam no ar, com fantasia. Há nos bairros populares o vislumbre das roupas estendidas nos varões, pontos brancos a esvoaçar, desvanecendo-se na cinza geral da luz mortiça que invade o mundo. Os jardins coloridos já adormeceram e nascem as primeiras estrelas, muito lá em cima, antes da poeira branca da Via Láctea. Paira uma leveza de cristal e chega a noite.
A cidade acende as luzes, devagarinho.

 

Texto de 2011, inspirado em Ravel

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publicado às 18:45




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