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Impérios galácticos

por Luís Naves, em 04.02.15

Ao longo da história do género literário que conhecemos por ficção científica, os autores criaram universos políticos com base naquilo que conheciam do passado e da sua experiência. Os impérios galácticos estão um pouco por todo o lado, em Fundação ou Star Wars, por exemplo, imitando impérios a sério, como se o mega-poder do futuro exigisse monarquias. Há numerosas variantes de ditaduras militares e regimes fascistas. Na Europa, sobretudo no leste, a ficção científica imaginou regimes socialistas abrangendo vastas regiões do espaço, e há autores americanos (veja-se Robert Heinlein) que colocam os enredos em colónias rebeldes que se libertam de jugos terrestres, imitando a revolução americana (Revolta na Lua é um exemplo). O colapso civilizacional em Fundação ocorre após a queda de um império gigantesco, cuja ruína se deve à imensidão dessa mesma entidade em colapso; Star Wars usa a mesma ideia, imaginando uma república vigiada por uma elite bondosa que, após certas peripécias, tomba sob a tirania de um usurpador maléfico. Basta isso para criar um império, numa narrativa que lembra a história romana, talvez a fonte de inspiração mais usual da ficção científica. No clássico de televisão Star Trek, o universo agrupa-se numa federação que se parece muito com os Estados Unidos da América, até na forma como os militares dependem dos políticos eleitos, mas isso surge mais tarde, sobretudo nos filmes da série. Em oposição, há dois impérios, Klingon e Romulano, ambos militarmente agressivos. O capitalismo selvagem com oligarquias tecnológicas (Blade Runner) aparece mais recentemente e é o modelo usual nos livros de Philip K. Dick, com incursões em modelos capitalistas de tipo oligárquico ou monopolista, o que também se verifica em Dune, de Frank Herbert, cujas rivalidades feudais acabam por evoluir na direcção imperial. Assim, considerando o conjunto, a caracterização política das sociedades imaginárias é talvez o ponto mais defeituoso da ficção científica, sem democracias aborrecidas e com preponderância de aristocracias e repúblicas débeis. As grandes excepções que me ocorrem são dois livros que não se podem considerar propriamente do género, 1984 e Admirável Mundo Novo, onde os dois autores, George Orwell e Aldous Huxley, ambos ingleses, elaboraram poderosas críticas políticas, pensando toda a estrutura da sociedade e criando modelos baseados numa estratificação muito rígida.

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publicado às 18:44


3 comentários

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De erro crasso os impérios da sf a 05.02.2015 às 01:17

não têm todos pendor monarchico ou hereditário o rodunato de merseia ou mesmo o imperator ao estylo romano não é um título real pois os reis romanos
são muito mal visto tanto na república como na organização ditatorial que se
segue ...há um déspota que pode nomear sucessor mas geralmente é a guarda pretoriana ou os janízaros ou os mamelucos que o escolhem

há regimes militaristas mais do que fascistas soldado do espaço de heinlein é uma república de soldados ....diferente da romana ou do reino de esparta

de resto há uma imensidão de regimes desde anarquias ao estilo do faroeste

a regimes teocráticos ao estylo do califado ou dos doges de veneza

e uma multidão de mundos ao estylo das cidades estado

as cidadelas dos autarchas

bandos e hordas sem estado ao estilo esquimó

estados embrionários como os dos crow onde há um chefe eleito ou conselho tribal para as épocas de guerra e caça ...no fundo o Tirano nos tempos de guerra ao estylo quintus cincinattus..

e muito mais assis de repente lembro-me de uns 40 ou 50 modelos de organização de estado ....nomeadamente regimes monacais com especialização de castas dirigentes

e uns 12 ou mais de desorganização

la machine du pouvoir onde o chefe de estado assume o poder como os mandarins após obter o máximo de classificação num teste

impérios onde as máquinas dominam ou seja não há seres humanos em lugares de poder ...fred saberhagen ...

impérios microbianos que absorvem mundos etc etc etc ..cada amoeba und cada alexandre cast shadows of probability that make worlds

e um estado embrionário onde a dona do armazém domina a sociedade clientelar

cultos de sociedades de consumo que espartilham o mundo Hells pavement

sociedades mercantis ao estylo da liga hanseática

impérios piratas sem imperador sociedades proto-comunistas onde os sovietes de piratas elegem o chefe enfim ....impérios mutantes ou de insectos com um cérebro ou rainha central ou vários impérios colmeia

nã assis de repente arranjava mais de 100...
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De e 1984 é estaline e o seu sistema a 05.02.2015 às 01:20

e sociedades de castas como as de Huxley surgem já nos anos 30 e mesmo em contos do século XIX no fundo com fundo hindu e letras gregas ,,,
mas tem potencialidade de desenvolvimento como tema
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De E blade runner tem organização a 05.02.2015 às 01:42

estratificada em classes sociais sendo os andróides os hilotas

e se há um poder ...nã deve ter lido o livro né ,,,

viu o filme

DA ORGANIZAÇÃO POLÍTICA DOS UNIVERSOS VIRTUAIS DESDE SOCIEDADES DE CASTAS A SOCIEDADES AMORFAS ONDE UM ANOME JUSTICIALISTA E DECAPITADOR REGE UMA SOCIEDADE ELITISTA DE ESTETAS E OUTRAS TRETAS ,,,

ENFIM MILHARES DE REGIMES POTENCIAIS
Edita e messianocracias com deuses ao estylo egípcio He came in too fast the first time—tore through the atmosphere like a lost soul and frantically out again, sweating in the control room's sudden heat. He turned, out in space, and carefully adjusted his speed so that ship and planet drifted softly together. Gently, as if he had been doing this all his life. Weaver took the ship down upon a continent of rolling greens and browns, landed it without a jar—saw the landscape begin to tilt as he stepped into the airlock, and barely got outside before the ship rolled ten thousand feet down a gorge he had not noticed and smashed itself into a powdering of fragments.

Two days later, he began turning into a god.
tá tudo? nã ...paciença

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