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Haverá mesmo fragmentação política?

por Luís Naves, em 30.05.15

É interessante este comentário de Paulo Gorjão publicado em cartas ao director no Financial Times. O autor de Bloguítica contesta a tese de um editorial onde se afirmava que em todos os países atingidos pela crise há movimentos populistas a causar fragmentação política. A ideia do jornal é sedutora, mas neste caso o exemplo português desmente uma boa história. Como observa Gorjão, a política portuguesa desenvolve-se numa forma de ‘business as usual’, com o aparente fracasso das tentativas populistas. A fragmentação existe na Grécia e na Espanha, os populistas mostram-se igualmente fortes em Itália e na França, sendo provável que nestes dois últimos as respectivas rebeliões possam já ter ultrapassado o ponto culminante. A objecção de Paulo Gorjão deve fazer-nos pensar sobre se é mesmo autêntica esta ideia da crise implicar fragmentação política e ascensão de formações populistas. O triunfo do Syriza na Grécia pode ser apenas um fenómeno isolado e o caso espanhol corresponderá a uma necessidade genuína de mudar o sistema e sair do bipartidarismo, cujo esgotamento é evidente. Aliás, se os resultados das legislativas espanholas forem semelhantes aos verificados no domingo, o sistema parlamentar da Espanha ficará relativamente parecido com o português, à excepção das formações regionais e da extrema-esquerda, com o Podemos a ocupar o espaço que os comunistas costumavam controlar (algo que o Bloco nunca conseguiu fazer).

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publicado às 11:43




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