Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]




Geografia

por Luís Naves, em 11.04.24

Os países pequenos têm dificuldade em habitar um mundo modelado pelo interesse das grandes potências, sendo que a geografia determina a definição essencial dos dilemas. A Hungria, por exemplo, enclausurada na Europa Central, vive há quase dois séculos a oscilar entre compromisso e rutura, entre a diluição da sua identidade e os perigos de desafiar o império que em cada época tenta controlar o seu espaço. Esticar a corda levou a várias tragédias. Portugal é diferente, um país que resistiu tantas vezes às inovações sociais que vinham da Europa e que preferiu geralmente adiar as mudanças inevitáveis. Fazer reformas é difícil, sendo preciso enfrentar interesses instalados e, sobretudo, os primeiros efeitos negativos dessas mudanças, muito antes de surgirem os resultados. Os diagnósticos estão concluídos, sabemos o que temos de fazer, mas adiamos a decisão para um dia mais favorável, até que a realidade se imponha. Por isso, oscilamos entre inação e frenesim, entre sossego e pânico. Quando já não há tempo, lá vamos a correr atrás do prejuízo, a realizar apressadamente o que os outros países conseguiram com esforço regular. Os nossos falhanços não são tragédias, mas os atrasos também cansam.

publicado às 16:56



Autores

João Villalobos e Luís Naves