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Fluir da noite

por Luís Naves, em 23.12.14

Mais uma noite de insónia. Os olhos querem descansar, o corpo pede uma trégua, o sono não regressa. Faço cálculo mental, elaborando rotinas, inventando episódios como se fossem rodas em que se contam detalhes. Mudo de posição na cama, dando voltas em torno dos cobertores, mas não há alívio na ansiedade. A única solução é deixar o tempo fluir e esta é uma lição também para a vida, uma forma de aviso, deixar que corra, que deslize, como faz a água do rio ou a minúscula inundação na rua, dispersa em milhares de ribeiras improvisadas, lagoas temporárias, mares a fingir. Assim funciona o sono que atravessa o ar nocturno: quando escorrega para o destino, por vezes encontra obstáculos, é travado pelo nervosismo da paisagem e suspende-se por uma noite ou uma parte da noite, antes de se escoar de novo, livre. A terra cheia de fadiga não pode absorver de uma vez toda a dádiva abundante que tombou do céu.

(escrito em Novembro, estava a chover)

publicado às 12:04




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