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Ferocidade

por Luís Naves, em 20.08.14

Há leitores que recebem as opiniões alheias com uma ferocidade particular, dispostos a tresler o que foi escrito e sem qualquer tolerância para a simples tarefa de ler com atenção. Se o autor não é vedeta da TV ou poeta fofinho, a assinatura é provavelmente irritante. Falando do meu caso, o que escrevo não é dirigido a leitores incapazes ou que partem para a leitura com preconceitos inabaláveis. Li um texto muito inteligente de uma autora que escreve no Jornal de Negócios, Eva Gaspar, e ela falava deste maldizer pouco informado que tomou conta do espaço mediático e que se espalha nas redes sociais como uma infestação de cogumelos tóxicos. Há pessoas que não entendem a diferença entre discordar com argumentos e discordar sem eles. Há comentadores que dão palpites sobre tudo e mais alguma coisa, com sentenças definitivas sobre temas que desconhecem, ideias vagas sobre coisas complexas; há também muitos que contestam o outro apenas pela cor da gravata, pelo respectivo lado na trincheira e por julgarem o opositor irritante ou ainda porque lhes apetece, por terem acordado com os pés fora da cama e com azia no estômago. Não faltam razões para a maledicência superficial e cruel, mas julgo que um dos motivos da crispação é razoavelmente racional: foi criado um clima pessimista e negativo, as notícias trazem sistematicamente o lado mau da sociedade e visam sempre a vertente escandalosa dos supostos factos. Algumas pessoas acreditam ingenuamente que, sendo o mundo assim, a liberdade de expressão deve funcionar como valor absoluto, incluindo apenas a irresponsabilidade e o vazio.

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publicado às 00:57




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