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Exílio interior

por Luís Naves, em 26.11.15

Nos meus dias de exílio interior nem sequer deixo na minha mixórdia de letras uns pózinhos insignificantes de alegria, sal capaz de colocar um sorriso no ocasional leitor. Não há nas matérias circundantes grandes motivos para humorismo. A Europa vive num arrepio de medo, confrontada com radicais assassinos que se movimentam livremente entre países. As liberdades a que nos habituámos estão verdadeiramente ameaçadas e não parece haver soluções para o fanatismo religioso de minorias determinadas: eles só aceitam a nossa conversão ou a nossa morte! De onde virá esta ideia, cada vez mais espalhada, de declínio inevitável, a sensação de termos as mãos atadas, enquanto o nosso mundo se agita em convulsões que nos parecem terminais? No tempo da geração anterior à nossa, havia uma pessoa muito pobre para duas relativamente ricas ou remediadas; no nosso mundo, há dois ricos e cinco remediados por cada pobre. Nunca vivemos tanto tempo, nunca tivemos tanto conhecimento acumulado ou tal longevidade, saúde e liberdade a sério, mas persiste este sentimento geral de falhanço e de colapso iminente. O descontentamento com o desemprego estrutural e com a grande estagnação em que mergulhámos não explica a falta de lucidez em redor, não explica o crescente populismo da política, que deixou de ter causas, para se deleitar na táctica e na intriga.

publicado às 22:44




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