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Estranho intervalo

por Luís Naves, em 05.01.15

É estranho o fascínio que produzem os jogos de computador. Criamos um mundo virtual e depois estamos lá dentro, a viver (no caso) dentro de uma cidade imperfeita, com erros de concepção e crescimento improvável. Durante dois dias quase me viciei em Sim City. Tive de desinstalar o jogo ou corria o risco de ficar ali a perder o meu tempo, numa actividade excitante, mas inútil. Tornou-se impossível pensar noutra coisa, o tempo passava num fósforo e, quando dei conta, o dia encurtara, a cabeça estava pesada e os olhos ardiam. A minha cidade, Nimrod, tinha fábricas e habitantes, prédios de grande altura, estradas e trânsito. Até podíamos ver pessoas a andar nas ruas, pequenos pontinhos que marchavam no asfalto, talvez à toa. Faltavam jardins e bombeiros, o saneamento era deficiente e o armazenamento de produtos parecia altamente insatisfatório. Não consegui construir escolas nem mercados, não consegui instalar transportes públicos, ia recolhendo impostos e o abastecimento de água (por enquanto) parecia suficiente. A perfeição do jogo é impressionante e vou precisar de vários dias para esquecer as imagens que criei ou talvez nem as tenha criado, apenas sido conduzido naquela direcção, por vezes sem saber para onde ia, mas sempre nos limites de um programa que me levava para um ali vago, não para onde eu queria, mas para onde o acaso ditava. Será a vida real também assim? Somos pontinhos a andar à toa?

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publicado às 13:35




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