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Estado de negação

por Luís Naves, em 04.06.15

O país mediático é uma terra mítica. Uma recente sequência de notícias que vi mostrava o estado de negação: a primeira notícia era sobre vinho e alguém dizia que Portugal tinha os melhores vinhos do mundo; a segunda era sobre azeite e alguém dizia que o nosso azeite era o melhor do mundo; a terceira era sobre pastéis de bacalhau e alguém dizia que tínhamos os melhores pastéis de bacalhau do mundo. Somos aparentemente os melhores saloios do mundo. Os governantes e os que aspiram ao poder já só falam numa língua incompreensível. Os intelectuais que os embalam contam histórias delirantes sobre um país que não existe e nunca existiu. A política não pode discutir os problemas autênticos, pois isso implica perder eleições. A discussão sobre a segurança social, para citar um exemplo, passou para depois da votação e só existe ali uma certeza: os eleitores serão enganados. A obsessão do futebol tornou-se doentia. Os protagonistas já só querem saber do dinheiro que ganham e dos carros espaventosos que guiam, mas os noticiários estão repletos de relatórios sobre o aumento das desigualdades e as diferenças salariais nas empresas. Em toda esta pequena pornografia portuguesa, a hipocrisia exclui todas as ideias construtivas. Só há ideias contra: os clubes afirmam-se através da anulação dos clubes adversários, os partidos não reclamam as melhores ideias, mas as menos más. Os eleitores passaram a ser uma abstracção e os adeptos deixaram de ter qualquer importância.

publicado às 19:58


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