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Pequeno ensaio sobre a desigualdade

por Luís Naves, em 26.01.15

O mundo contemporâneo enfrenta sobretudo dois problemas, a proliferação de Estados falhados e o aumento das desigualdades. Nos países industrializados, a diferença entre classes sociais parece ter acelerado a partir dos anos 80, mas agravou-se com a Grande Recessão. A acumulação no topo está a acentuar-se. Segundo as estimativas disponíveis, o milésimo mais rico da população mundial tem agora um quinto da riqueza total e o centésimo superior tem metade. Em contraste, a metade mais pobre da população mundial detém apenas 5% da riqueza. Entretanto, o aumento da pobreza e a degradação dos rendimentos de parte substancial da classe média funcionam como um travão à mobilidade social.

O liberalismo económico que proporcionou esta divergência está paradoxalmente a causar uma redução das liberdades. Por todo o lado surgem movimentos populistas a defender as teses do nacionalismo e da ordem. Nos países europeus, onde o Estado social foi duramente atingido pela crise, as classes médias confrontam-se cada vez mais com o problema da ansiedade no emprego. Os serviços públicos estão a degradar-se e os rendimentos dos mais pobres continuam a cair, mesmo quando a economia recupera. As pessoas pagam mais impostos, têm menos serviços públicos e vivem no medo de ficar sem trabalho, daí que aceitem salários inferiores e o enfraquecimento das instituições.

A sensação de insegurança estende-se também à política externa, quando alastram em várias partes do mundo manchas de fracasso institucional em larga escala. Em África ou no Médio Oriente, milhões de seres humanos sobrevivem em zonas de conflito controladas por grupos extremamente violentos. Quando o Estado entra em colapso, a descida ao inferno parece ser irreversível.

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publicado às 15:39


2 comentários

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De poetazarolho a 27.01.2015 às 16:27

"The show must go on"

Quero ter um milhão
Para ser um milionário
Tu ficas com um tostão
Para o teu gasto diário

Mas que grande sensação
Chamam-me até visionário
Tu ficas com teu quinhão
Que se apelida de salário

E assim vamos vivendo
Na sociedade progresso
Sem necessidade de amor

Maioria em nada tendo
Tem direito a um ingresso
No espectáculo do terror.
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 27.01.2015 às 23:08

É verdadeiramente assustador . . . a forma como este pequeno texto nos faz reflectir e sentir que estamos tão perto do colapso!

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