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Dissonância

por Luís Naves, em 13.03.18

Uma das características mais subtis da política contemporânea tem a ver com a distância crescente entre as elites e o povo, uma dissonância que se vai espalhando pelos meios intelectuais e que ocorreu no passado antes de grandes convulsões. Não há jornalista que não repita aquelas beatitudes quase religiosas sobre os valores liberais ou que se atreva a fazer uma leve crítica aos excessos ideológicos dos bem-pensantes. A academia, essa, entrou mesmo no delírio da torre de marfim, numa separação radical em relação ao mundo lá fora. Os políticos usam a linguagem de pau e têm tanto maior êxito quanto menos tentam mexer nas alavancas da sociedade. Os governos parecem cada vez mais impotentes para fazer o mínimo. Tudo é aparência, de conhecimento, de poder, de arte, mas na realidade oculta-se a acção do estado profundo e dos interesses oligárquicos, condenando as sociedades à paralisia e à mediocridade. Cresce a intolerância perante a mínima contestação da ortodoxia e todos os que têm algum acesso aos meios de comunicação limitam-se a dizer inanidades sem contacto com a vida dos outros. É o mundo do castelo: já ninguém pode compreender os mecanismos do poder, a democracia representativa tornou-se desnecessária e a elite, para além da crescente falta de transparência, tem intenções misteriosas.

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publicado às 14:07




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