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Descontentamento I

por Luís Naves, em 27.12.14

As pessoas ouvem, mas já não escutam. A verdadeira diferença é andar fora do mínimo denominador comum, mas isso implica ser ignorado, sobretudo quando há menos certezas do que dúvidas. Um texto pouco lido será irrelevante. Assim, são privilegiadas as ideias superficiais e com impacto nas emoções do maior número possível de gente, ou seja, informação que entretenha. As democracias mudaram. Ao contrário do que acontecia no passado, tornou-se fácil criticar o poder, daí que os ciclos políticos sejam cada vez mais curtos. Nas sociedades avançadas, não há governo que não seja constantemente encurralado pela rapidez mediática e o mínimo defeito num político pode transformar-se em processo de julgamento na praça pública. A sobrevivência política está em fazer o menos possível, arriscar o menos possível, decidir o menos possível. As tecnologias não se limitaram a arruinar os modelos tradicionais, mudaram radicalmente a relação entre os média e o poder. A opinião pública insaciável reage de forma imediata a qualquer percepção de escândalo. Qualquer frase mal medida, um gesto impensado, pode acabar com uma carreira de décadas.

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publicado às 11:48




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