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Da sensatez

por Luís Naves, em 22.04.15

Este texto de Paulo Gorjão toca no nervo. Não basta dizer que há ideias diferentes: as alternativas políticas têm de ser exequíveis e sensatas. Para demonstrar esta lógica, basta observar a agonia da Grécia, onde um partido da esquerda radical atingiu o poder prometendo um programa que se revela impossível de cumprir. Existe tensão entre democracia e interesse colectivo europeu? De facto, esse tem sido o caso ao longo da Grande Crise, mas será democrática uma promessa que não pode ser cumprida? Quando um governo sobe ao poder sabendo que as suas promessas são impraticáveis, estamos perante uma fraude, sendo hipócrita a afirmação de que as pressões externas atraiçoam a democracia. Enquanto a zona euro não estiver estabilizada, não haverá transferências directas sem união política ou ajudas a países sem planos de reformas estruturais (como se evita que o devedor volte a pedir emprestado se não acabar com as suas debilidades?). Os países credores não abdicam do princípio do controlo democrático sobre os impostos que usam para financiar outros membros da moeda única. Nesta Europa, não há países ou governos com mais legitimidade democrática do que os outros e não é possível à Grécia ou a Portugal forçar a alteração das regras colectivas (quem o disser está a enganar a opinião pública). Assim, se uma proposta política sobre o futuro do país não cumprir o Tratado Orçamental, estaremos perante um desafio à ordem europeia existente ou perante uma mistificação. A alternativa, só por si, não chega, tem de ser uma alternativa possível.

publicado às 17:13




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