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Crise na zona euro (III)

por Luís Naves, em 07.07.15

O referendo grego de domingo mostrou a divisão da esquerda europeia, com a formação de dois blocos irreconciliáveis. Nos países da zona euro, crescem os partidos populistas e radicais eurocépticos, num processo gradual que torna cada vez mais pequena a aliança central (e tradicional no poder) entre conservadores e socialistas. Nos meios de comunicação de referência, triunfou uma retórica que define o lado europeu como sendo neo-liberal e subserviente dos interesses do governo alemão. Esta é uma caricatura infeliz, pois nas instituições há socialistas, que serão cruciais  em qualquer decisão.

A Espanha ilustra esta nova clivagem no eleitorado esquerdista, com PSOE e Podemos a fazerem interpretações opostas do caso grego. Segundo as sondagens, os dois partidos deveriam formar uma aliança de poder pós-eleitoral, mas as divisões sobre como prosseguir com a moeda única dificultam esse resultado. Em Portugal, o PS tem a fractura exposta, com dirigentes de topo a fazerem discursos alinhados com o Syriza e a liderança a tentar um meio termo que permita criticar as políticas de austeridade sem inviabilizar a solução europeia onde participam os partidos homólogos. A ambiguidade pode custar votos a António Costa, cuja posição contrasta com a de outros dirigentes socialistas, mais próximos dos discursos do Bloco de Esquerda ou do PCP favorecidos pelo coro grego dos analistas mediáticos. O problema dos socialistas é que será a conquista dos eleitores do centro a decidir as legislativas e, caso se confirme o Grexit, os portugueses vão assustar-se com as imagens do colapso financeiro e da crise humanitária que se vai seguir, com a moeda paralela, bancos estoirados, escassez nas farmácias e falta de gasolina.

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publicado às 11:42




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