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Crise na zona euro (I)

por Luís Naves, em 05.07.15

A Grécia está mais perto de sair do euro, o que será uma terrível provação para o povo grego, mas igualmente a única forma de o governo do Syriza cumprir o seu programa de esquerda. Com o Grexit, a dívida será cortada e a desvalorização permitirá algum crescimento económico, apesar do empobrecimento e da inflação. Os tratados não incluem cláusula de expulsão, portanto, é necessário inventar uma solução legal, mas os estragos na credibilidade da moeda única serão imensos. A alternativa é um acordo com medidas duras que a esquerda repudia, sendo ainda menos provável um acordo soft que leve outros países a pedir a reestruturação da sua dívida e o fim imediato das medidas de rigor orçamental. O ‘não’ dos gregos tornou a via mais estreita e haverá efeitos globais, mas o jogo definiu-se. A fragilidade do euro torna-se evidente e os países ricos precisam de aprofundar a integração, reduzindo a soberania dos Estados. O cumprimento do Tratado Orçamental será obrigatório para quem quiser permanecer (os mercados encarregam-se de punir os prevaricadores) e os mecanismos de consolidação (fundo monetário europeu e união bancária) podem acelerar. O aprofundamento constituirá igualmente uma oportunidade política para os partidos da esquerda radical que contestam a própria UE e será o ponto de divisão entre os partidos socialistas pró-europeus e os populistas que apostam tudo no combate ao colete de forças nas finanças públicas.

 

Texto escrito dia 6 e 7 comenta referendo de dia 5

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publicado às 11:36




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