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Civismo

por Luís Naves, em 18.05.15

Não tendo nenhuma divisão séria, a sociedade portuguesa deu-se ao luxo, nos últimos vinte anos, de permitir o desenvolvimento de um caldo de cultura onde não há lugar para o civismo. A autoridade é vista com extrema desconfiança, sendo geralmente ignorado o dever de tratar os outros com o mínimo de cortesia. O problema é visível no rescaldo de jogos de futebol, na forma como muitos portugueses conduzem ou destratam empregados de lojas. Usa-se a expressão ‘tenho direito‘ para justificar comportamentos lamentáveis. Nas redes sociais, há verdadeiros linchamentos públicos de supostos culpados, sempre com base em provas insuficientes que condenam crimes talvez imaginários. O que se faz aos políticos pode fazer-se a um anónimo indefeso, desde que pareça estar do lado errado. Os portugueses atrevem-se a fazer o que não lhes passaria pela cabeça na Dinamarca, pois daria prisão certa (ao contrário das hordas bárbaras, que fazem os disparates fora do seu país).

A boa educação não se evaporou depressa, mas foi desaparecendo. A opinião pública valoriza pouco a gravidade de um condutor alcoolizado ou agressivo e ninguém reage quando um cidadão passa à frente dos outros ou impõe a sua vontade com uma gritaria oportuna, pelo contrário, estas atitudes provocam o silêncio cúmplice das vítimas. A sujidade e a destruição dos motins da bola merecem complacência, como aliás são sempre desvalorizadas as numerosas declarações incendiárias dos dirigentes de clubes. Os grupos de interesses têm ampla cobertura mediática e reivindicam com energia os seus direitos, como se vê em greves de privilegiados, onde contribuintes e consumidores são transformados em reféns sem voz.

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publicado às 13:06




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