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Certificado de habilitações

por Luís Naves, em 20.01.15

O meu certificado de habilitações mostra grandes fracassos. Aliás, vendo bem, a minha vida foi uma interessante sequência de falhas, como julgo ser o caso de muitas outras vidas que não se distinguiram e que, embora tentando alcançar alguma coisa, se foram gastando nas ilusões e no vazio. Se fosse personagem dessa obra-prima, A Grande Beleza, seria um secundário pateta e sem nome, mas sou eu, sem festas esquisitas ou dissipação, sem delírios, apenas sonhos corriqueiros, banalidades e situações normais, oportunidades perdidas e sensações imperfeitas, alegrias breves e outros insucessos, memórias perdidas, longas preguiças e falta de vontade. Foi este o meu malogro, não saber flutuar no rio do tempo, não fazer concessões e ser demasiado insípido e sem visão, fechado na minha timidez e metido em medos. Fui fraco, faltou-me o espírito e a classe, sou o que se pode chamar um fiasco em pessoa, desprovido daquele brilho que convém exibir, incapaz da elegância dos audazes e da insincera aparência dos pedantes. Sou feliz e livre, sim, mas um fracasso na mesma, pois não é a felicidade o que importa aos outros. Está tudo no meu certificado de habilitações, de uma pobreza infinita: aproveitamento medíocre no trabalho, passagem à tangente nas cadeiras mais fáceis do amor. De resto, falhei em todas as disciplinas do sucesso e do dinheiro, está aqui, está escrito.

publicado às 11:09




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