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Causas do atraso

por Luís Naves, em 12.03.15

Entre 1960 e a actualidade, o rendimento per capita nacional aumentou cinco vezes (em valores constantes). Os indicadores de alfabetização, longevidade ou mortalidade infantil são típicos de países europeus avançados. Durante a crise de 2009-2014, o País empobreceu, perdendo 6% da riqueza, mas isso não contradiz a tendência dos últimos 60 anos, de enriquecimento progressivo, embora mais lento no início da primeira década do século. Ao contrário do mito, a integração europeia tornou a sociedade portuguesa menos desigual e menos corrupta e essa tendência, que deve ser entendida a médio prazo, vai prosseguir. A ligação profunda que existia entre interesses económicos, partidos políticos e comunicação social nunca mais será a mesma após a falência de grupos poderosos que dependiam da sua proximidade em relação ao Estado e à política paroquial. Além disso, a opinião pública tenderá a ser mais exigente em relação a promessas partidárias que resultem em nova despesa pública, impostos mais elevados ou endividamento. O País que sai desta crise é diferente do anterior, mais integrado na Europa, menos complacente e também mais pessimista, mas falta perceber o que acontecerá com a elite: como vão mudar os partidos tradicionais e que grupos económicos triumfam? Circula nas redes sociais uma interpretação da crise nacional que atribui às políticas de austeridade toda a pobreza, desigualdade, corrupção e envelhecimento que nos rodeia, mas longe de serem consequências da crise estes fenómenos são as causas do nosso atraso.

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publicado às 10:49




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