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Blocos de apontamentos

por Luís Naves, em 01.12.14

Esqueço-me de tudo. Anoto o que me interessa em pequenos blocos onde escrevo numa letra confusa e quase ilegível. Depois, tento decifrar os manuscritos, mas o mais frequente é esquecer-me do próprio bloco, que se perde numa confusão de papéis dispersos, em pilhas que é impossível vasculhar. Sabendo que escrevi notas sobre determinado assunto, vou à procura nos blocos, mas geralmente encontro apenas frases incompreensíveis e que, na altura, condensavam o essencial da informação sobre aquele assunto, mas que entretanto já não parecem fazer sentido. Isto acontece quando tenho a sorte de encontrar a referência, pois quase sempre perco o próprio bloco de apontamentos onde seria suposto encontrar o que procuro. Li vários contos de uma escritora húngara e gostei imenso do que li, mas não me consigo lembrar do nome dela. Devo ter feito uma pequena referência num bloco de apontamentos, mas não sei onde estará tal informação. Apesar de tudo, tendo sido esse nome esquecido, lembro-me bem das sensações da leitura e de alguns detalhes das histórias. As restantes impressões posso inventar. O nome da escritora será um dia evidente, simples questão de tempo. Talvez quando abrir ao acaso um antigo bloco de apontamentos e deparar com o nome dela e uma frase escrevinhada em letra incerta, a fazer brilhar de novo a memória adormecida.

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publicado às 17:57




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