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Bibliotecas

por Luís Naves, em 02.01.15

Segundo li em The Economist, foi inventado um serviço que cria substanciais bibliotecas para ricos que querem exibir o segredo bem escondido de uma educação sofisticada. Uma milionária árabe adquiriu mil livros com temáticas sobre a aproximação entre as culturas orientais e ocidentais, outro cliente comprou uma excelente colecção de livros de arte, mas imagino que as possibilidades sejam quase infinitas: mil volumes sobre história europeia ou sobre China; dois mil sobre ciência política, pintura impressionista e romance francês; três mil volumes sobre arquitectura, história americana, antropologia e economia. Nada de livros demasiado polémicos ou de ruptura, apenas obras abrangentes. A literatura é a parte mais difícil, pois precisa de clássicos, sem dispensar a novidade. A decoração das prateleiras tem de dizer algo sobre o proprietário, mas não deve revelar demasiado, apenas que se interessa por certos assuntos, sem necessariamente concordar com as abordagens. O serviço é caro e pretende satisfazer pessoas ricas com pouco tempo para leitura. Para os clientes, é igual à escolha dos fatos, das pinturas na parede ou do Rolls Royce: desde que haja dinheiro para pagar, haverá livros para mostrar às visitas, seleccionados com impecável bom gosto e com a vantagem de ser extrema má educação perguntar a um anfitrião se leu as obras da sua própria biblioteca.

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publicado às 11:19




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