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Beijos cinematográficos

por Luís Naves, em 14.11.14

Atrás da cortina, estão duas pessoas, mas vemos apenas os seus membros inferiores, as ancas, os ventres. De cara oculta, ele sentou-se no banco rotativo, ela ao colo dele. O homem veste um blusão longo, molhado, pois na rua chove a cântaros, e os dois vieram do exterior, entraram na galeria comercial e enfiaram-se na cabina fotográfica, um tijolo de metro e meio de altura e um de volume, fotos a dois euros, processo automático. Através da cortina, é visível que ela tem meias de malha preta, saia curta, a mão dele passeia na perna, poisa suavemente à altura do joelho, depois na anca, uma sugestão de mão a subir por dentro da saia, então surgem os relâmpagos da máquina automática, um dois, três, quatro, a mão dele passeia na perna dela, há risinhos atrás da cortina. Quando os dois saem da cabina apertada, as suas caras são iguais às que imaginei: jovens, ela baixinha, de cabelo curto, ele um pouco mais velho, alourado. Sorriem, felizes e sem vergonha. A máquina debita uma tira com imagens, sopra um vento para secar os químicos, e o casal segue o seu caminho, enquanto imagino as fotos, cheias de beijos cinematográficos ou talvez apenas brincadeiras de amantes. Da rua, vem o barulho de um aguaceiro interminável.

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publicado às 11:15




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