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As urnas do nosso alheamento

por João Villalobos, em 12.05.14

 

É mais do que evidente que neste período eleitoral não se discutirá a Europa e o seu futuro. Ou Portugal na Europa, agora e depois. Mas a culpa dessa ausência não é apenas dos responsáveis pelos principais partidos, embora os seus discursos sejam excessivamente polarizados entre o ataque ao despesismo de um e à austeridade dos outros; A responsabilidade cabe também a um modelo mediático que tanto suscita quanto responde - em modo loop - a um alheamento progressivo do eleitorado face às instituições europeias e às respectivas eleições, que registam desde 1994 uma abstenção superior a 60%, incluindo Continente e Ilhas.

A verificar-se um agravamento disso mesmo e a prenunciada “abstenção histórica”, ela decorrerá ainda adicionalmente de uma incapacidade de a União Europeia comunicar aos cidadãos dos países que a integram as principais bandeiras em causa nas eleições. Basta ver este anúncio oficial de apelo ao voto para atestar o grau limitado de criatividade e informação do mesmo.

Para cúmulo, se os eleitores portugueses contrariarem essa abstenção histórica será, unicamente, devido à participação do centro-esquerda e da esquerda no exercício de um voto de protesto contra o resultado do Programa de Ajustamento.

Lamentavelmente, é mais do que provável que o resultado, seja ele qual for, reflectirá nada. Será indiferente a nível nacional ainda a esta distância das legislativas, e será impossível de correlacionar com qualquer intenção dos votantes quanto ao que pretendem da Europa.

No fundo, quem for às urnas cremará o seu boletim de voto no cemitério colectivo das ideias. E ninguém será inocente se tal acontecer. 

Fotografia: Luke Baker/Reuters

publicado às 11:59




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