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As raízes do problema europeu

por Luís Naves, em 16.12.15

Os eleitores parecem cansados de duas décadas de mediocridade económica, a que se seguiram crises que abalaram os próprios fundamentos da UE. Quando o euro esteve à beira do colapso, os governos mostraram abundantes sinais de fraqueza. Entretanto, encolheram os serviços públicos, aumentou a ansiedade das pessoas em relação aos seus empregos e pensões, tremeram os fundamentos da relativa segurança que os europeus julgavam garantida. Há quem diga que a rebelião eleitoral a que se assiste na Europa tem a ver com a austeridade, mas isso não explica o avanço dos populistas em países que não foram afectados por medidas austeritárias.

Na verdade, a globalização falhou para muitos europeus. Ninguém pode dizer que não foi afectado pela deslocalização de empresas, pelo futuro duvidoso das pensões de reforma, pela degradação do Estado social, pelo desemprego ou ainda pelos aumentos de impostos que financiaram dívidas públicas. A globalização trouxe mais produtividade, mas a distribuição dos ganhos foi desigual ou, pelo menos, muitos eleitores acreditam nisso. Em países com grande proporção de imigrantes, existe uma sensação adicional de insegurança: o terrorismo floresceu em comunidades mal integradas. A imigração pode resolver problemas de competitividade e reduz o défice demográfico, mas também funciona como travão ao aumento dos salários mais baixos, sendo prejudicial para trabalhadores menos qualificados, exactamente aqueles que assistiram à degradação da convivência nos bairros populares e vivem na pele os choques culturais em torno de questões que deviam estar extintas, como falta de liberdade das mulheres ou intolerância religiosa.

Mais recentemente, os governos trataram como crise de refugiados o que tem todo o aspecto de ser uma crise de imigração em larga escala. As potências ganharam preponderância e as instituições comunitárias são duras com os países mais pequenos. A nova economia beneficia as maiores empresas, fechando os olhos à lei do mais forte e sufocando progressivamente as lojas de bairro. Parece que perdem sempre os mesmos, o que não impede o constante discurso da igualdade e da solidariedade. Nada disto joga com a vida real. As elites políticas e mediáticas ignoraram o descontentamento popular e sofrem agora uma rebelião de grandes proporções.

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publicado às 12:35




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