Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]




As próximas eleições (11)

por Luís Naves, em 23.05.14

Os sucessivos alargamentos da UE foram complexos e dispendiosos. Pode afirmar-se que foram também um extraordinário êxito político dos europeus, ao serem evitados muitos conflitos e criados regimes democráticos e sistemas liberais numa parte da Europa que tem mais de cem milhões de habitantes. Estes países possuem agora um grau de liberdade e de prosperidade que nunca tiveram durante o período comunista, mas o maior sinal de sucesso (e a sua maior infelicidade) é a circunstância do alargamento ser visto em Moscovo como uma ameaça estratégica, à semelhança das hordas teutónicas enfrentadas por Alexandre Nevsky.

Quando os ucranianos reagiram contra o seu governo pró-russo por este ter recusado um acordo com os europeus, Moscovo decidiu utilizar a crise para travar o que vê como ambições imperiais da UE, aproveitando para contestar a ordem internacional que resultou do fim da Guerra Fria. O presidente russo, Vladimir Putin, tem condições para transformar a Ucrânia num estado falhado, parando a expansão da UE e da NATO, com o bónus de exercer chantagem sobre vários países europeus através da ameaça de cortar o fornecimento de petróleo e gás natural.

 

A revolução de 1989 e a queda do bloco soviético foram, sem dúvida, acontecimentos de grande importância para a Europa, marcando o fim do sistema internacional com duas super-potências nucleares e o início da maioridade da então CEE, que em breve se chamaria União Europeia.

Os europeus fizeram tudo relativamente bem: a Alemanha de Leste foi absorvida pela República Federal da Alemanha, no primeiro passo daquilo que viriam a ser os sucessivos alargamentos da UE. Os países do Pacto de Varsóvia com mais forte identidade, Polónia e Hungria, fizeram uma rápida transição para a democracia, com oportuna ajuda ocidental, apesar de ainda não ser bem compreendido em certos círculos o seu profundo anti-comunismo. 

 

A Checoslováquia teve o divórcio de veludo e surgiram de forma pacífica dois prósperos países democráticos, a República Checa e a Eslováquia. Depois, a Jugoslávia estilhaçou-se, a actuação europeia teve ali maiores dificuldades, com o aparecimento de uma mini-Guerra Fria, e seguiram-se limpezas étnicas em larga escala, com três guerras cruéis, na Croácia, Bósnia e Kosovo, onde houve massacres e expulsão de populações. A solução europeia foi a de criar protectorados e prometer a adesão à Eslovénia, Croácia e Sérvia, tendo os dois primeiros já entrado.

Entretanto, a UE estendeu-se à Roménia e Bulgária, dois países pobres que nunca se libertaram inteiramente do antigo regime, e aos três bálticos, dois dos quais (Estónia e Letónia) continuam a ter largas comunidades de apátridas. Na Letónia, onde o fenómeno é mais grave, 15% da população é constituída por não-cidadãos: são soviéticos que emigraram entre 1945 e 1989 e que se recusam a falar letão ou a aceder à cidadania letã (as novas autoridades nunca facilitaram); estas pessoas consideram-se russas e, sem serem emigrantes, não têm passaporte da Letónia ou direito de voto; há casos absurdos, de famílias que têm cidadãos e não-cidadãos. A proporção de não-cidadãos na Estónia é um pouco menor, mas também significativa. 

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 13:00




Links

Locais Familiares

Alguns blogues anteriores

Boas Leituras