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As próximas eleições (1)

por Luís Naves, em 09.05.14

As sondagens sobre as próximas eleições europeias sugerem que haverá poucas mudanças, mas as simplificações jornalísticas que tenho visto contam uma história bem diferente. Embora este seja um tema secundário nas prioridades mediáticas nacionais, ao ouvirmos as notícias até parece que a extrema-direita vai ter uma estrondosa vitória, o que ameaça o futuro da Europa.

Na realidade, a votação não deverá mudar as políticas em vigor: provavelmente, os conservadores continuarão a dominar o Parlamento Europeu, embora os socialistas possam vencer; de qualquer forma, o futuro parlamento será dominado por um bloco central que recusa a mutualização da dívida dos Estados do euro e que terá poucas hesitações em apoiar a actual estratégia de combate à crise. Será a Alemanha em larga escala, mais ou menos o que existia.

Os liberais, que estavam no centro e se aliavam a um ou outro lado, vão perder a influência que tinham e serão os grandes derrotados. Tudo indica que o voto de protesto na esquerda comunista se reforçará, sobretudo à custa dos verdes, mas aqui existe uma divisão entre federalistas e anti-federalistas, pelo que esta esquerda estará muitas vezes em desacordo.

Entretanto, a direita estilhaça-se em novos grupos, devendo surgir pelo menos mais duas formações. Haverá conservadores federalistas e não-federalistas, eurocépticos e populistas, extrema-direita eurocéptica (um novo grupo) e extrema-direita tóxica (esta talvez não consiga formar grupo parlamentar). Há outras incógnitas: por exemplo, a quem se irá juntar o movimento popullista italiano de Beppe Grillo (segundo lugar em Itália)? De resto, o resultado será renhido na Polónia, Grécia, França, Reino Unido. Os conservadores estão bem posicionados para vencer na Espanha, Alemanha, Irlanda e Hungria; a esquerda socialista deve vencer em Portugal, Itália ou Suécia, talvez no Reino Unido.

A análise mais fina das tendências de voto indica que cresce o protesto e o eurocepticismo mas que, no essencial, os europeus continuarão a votar nos partidos tradicionais pró-federalistas, que terão larga maioria. Será o desmentido das teses do fim da Europa e da insustentabilidade da crise, embora isso não vá mudar um milímetro das narrativas convenientes de que esta Europa é um enorme fracasso.

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publicado às 11:47




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