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As más elites

por Luís Naves, em 09.08.15

As elites de Camilo Castelo Branco eram provincianas e pobres, ignorantes e orgulhosas, obcecadas com a sua posição na hierarquia social. Em O Bem e o Mal, uma família leva gerações a juntar uma biblioteca, mas nenhum livro tem menos de duzentos anos. O país mudou, é claro, mas estas características são ainda visíveis na mentalidade contemporânea, talvez motivos do nosso atraso: é ver as poses das pessoas importantes, o servilismo em relação aos que consideramos de classes superiores, a resistência às ideias da igualdade, a conversa dos direitos adquiridos e dos pergaminhos de família. A arrogância das nossas elites não se deslocou um milímetro e nunca aderimos à cultura do mérito. Tal como no tempo de Camilo (ou pelo menos nos seus romances) continuamos com aversão a discutir as verdadeiras questões; a conversa é sempre lateral e embelezada ou termina com uma tirada espectacularmente ao lado. Há certa prepotência neste culto da mediocridade e da má liderança, como se isso fosse parte da paisagem, a inevitável força dos elementos, a má sorte sem remédio. E é curioso como as figuras fortes, tenazes e persistentes são sempre do povo, criticadas por isso mesmo, ridicularizadas até, nunca inteiramente aceites por essa elite que gostaria de ter um país adormecido e muito dócil, algures no passado.

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publicado às 13:34




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