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As forças centrífugas

por Luís Naves, em 09.07.15

Muitos comentadores acreditam que a União Europeia é uma construção em colapso, tendo atraiçoado um mítico plano original. Esta Europa sonhada nunca existiu. A UE permite acomodar os interesses nacionais dos diferentes Estados e substituiu o sistema de equilíbrio de poder entre alianças rivais que conduziu ao desastre de 1914-1945. Os europeus nunca foram tão livres e tão ricos como agora e isso aplica-se também aos portugueses, embora a narrativa dominante na Imprensa seja de que estamos mais pobres do que há 30 anos, que a Europa está mais dividida e os dirigentes não são credíveis, para não mencionar as ideias quase consensuais da impotência política e da democracia em declínio. Este mito da regressão é alimentado em todos os países pelas forças demagógicas que apostam na destruição da UE, no proteccionismo de mercado e na instigação do nacionalismo extremo.

Basta fazer um exercício de imaginação, pensando numa Europa governada por Marine Le Pen, Pablo Iglésias, Alexis Tsipras ou com governos que integrassem partidos como Frente Nacional, UKIP, Podemos, Bloco de Esquerda, Alternativa para a Alemanha, Jobbik. Nessa Europa não comunitária surgiriam rapidamente divisões ideológicas e rivalidades chauvinistas, talvez até conflitos militares, as periferias perderiam as ajudas e as instituições de Bruxelas eram provavelmente extintas. As forças centrífugas têm na Europa que existe o seu maior inimigo, pela razão simples deste ser um projecto de poder que as exclui. Por isso, contestam a moeda única e as regras do Tratado Orçamental, são adversárias do comércio livre e do capitalismo, acusam os líderes de traição aos interesses nacionais.

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publicado às 16:59




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