Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]




As eleições de ontem

por Luís Naves, em 05.10.15

As eleições de ontem demonstraram mais uma vez o bom senso dos portugueses e a falta de juízo das elites mediáticas. A direita venceu com maioria relativa e os socialistas, que tinham ensaiado viragens tácticas à esquerda, foram derrotados nas urnas. Nas televisões, alguma perplexidade dos comentadores e os partidos da extrema-esquerda a liderarem a interpretação do voto. O PS foi ainda mais encostado às cordas. A tese é a seguinte: há maioria de esquerda, o governo da direita não deve ser viabilizado.

Na realidade não há maioria de esquerda, mas duas minorias de esquerda. O fraccionamento deste eleitorado não é um fenómeno só português, mas nítido em Espanha, Grécia, França, Reino Unido, entre outros. A esquerda moderada ou tradicional pode aceitar políticas compatíveis com o Tratado Orçamental europeu; a esquerda radical quer afastar-se da Europa. Os trabalhistas ingleses, num exemplo exterior à zona euro, reagiram à recente derrota eleitoral com a radicalização ainda mais acentuada da liderança, que pode evoluir para uma posição favorável à saída da UE. Veremos o que acontece às forças de esquerda em Espanha e Polónia.

Em Portugal, pode haver governo minoritário instável durante ano ou hiper-bloco-central (através de apoio parlamentar, naturalmente) capaz de governar uma legislatura, tudo dependerá da escolha do PS. Endividado e com uma economia pouco competitiva, o país precisa de modernizar a máquina do estado e reformar a segurança social, o que exige consenso e um bom par de anos de tréguas. Sem isso, não será possível controlar as contas públicas, reduzir a dívida e conter o défice externo. E ninguém pode esquecer que as dificuldades tendem a agravar-se, em consequência do grave problema demográfico. O envelhecimento da população obriga a alterar todas as despesas sociais.

Um longo período de transição e de incerteza política pode levar facilmente a nova degradação das finanças públicas, bastando para isso a perda de credibilidade externa e o aumento das taxas de juro. O contexto europeu é desfavorável e recomenda prudência, pois a crise do euro não terminou e surgem no horizonte outras ameaças: fluxo migratório em larga escala, eventual saída do Reino Unido da União Europeia, Ucrânia a mergulhar no caos, os efeitos do escândalo Volkswagen.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 17:37




Links

Locais Familiares

Alguns blogues anteriores

Boas Leituras