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As bolhas

por Luís Naves, em 07.10.17

Um pequeno artigo em The Economist fazia referência a um estudo do Deutsche Bank sobre a acumulação do valor dos activos financeiros nas economias avançadas. A coisa é teórica, foi discutida em sites especializados com enorme excitação, mas tento resumir: nos últimos dois séculos, os activos financeiros nunca estiveram tão valorizados como agora, o que indica a possibilidade iminente de se iniciar o processo de queda de valor, ou seja, de haver nova crise financeira, porventura tão ou mais grave do que a anterior. Além da previsão de que provavelmente não haverá aviso, o que mais assusta no gráfico que o DB produziu é a coincidência entre as inversões dramáticas e as grandes calamidades da História. À euforia na constante obtenção de valor de obrigações e capitais, num período longo, segue-se uma descida que pode durar décadas. Segundo os dados do relatório do banco, o valor dos activos financeiros está em curva ascendente desde os anos 80, quando começou o longo período de forte endividamento de empresas e países. A crise de 2008, causada pelo estoiro da bolha dos subprime, não travou a ascensão desta curva, pelo contrário, ela continua a crescer, o que não pode manter-se eternamente. A bolha financeira global vai estoirar um dia, só não sabemos quando e como; então, começará a longa descida, que pode prolongar-se por uma geração. Quem, daqui a 50 anos, olhar para um gráfico actualizado deste indicador, verá um pequeno pico ou planalto, a marcar uma nova crise mundial, talvez a rebentar no início da década de 20, ou talvez por estes dias.

publicado às 21:36


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