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Arrastar os pés é melhor

por Luís Naves, em 07.04.16

Um dos elementos característicos do mundo contemporâneo é a impotência da política. Os dirigentes de hoje dispõem de margem de manobra mínima e, em muitos casos, ganham em adiar decisões. Veja-se, por exemplo, o estranho caso da chanceler Angela Merkel, cujo poder foi acumulado na sequência de múltiplos episódios em que a líder alemã se limitou a ganhar tempo, a adiar uma decisão concreta até que houvesse apenas uma opção disponível: as crises do euro e dos refugiados são exemplos deste método.

Há 40 anos, um político que arrastasse os pés seria cilindrado pela realidade, mas esse não é o caso dos líderes democráticos contemporâneos: os mais populares e com maior longevidade são aqueles que, parecendo fazer imensas coisas, conseguem adiar as reformas e conter as mudanças. O risco de tomar decisões difíceis, pelo seu lado, garante ódios de estimação e vida política mais curta. Este é o grande motivo que explica o crescimento dos movimentos populistas na Europa e na América: os eleitores confiam cada vez menos na política tradicional, associada a uma letargia que apenas prolonga o descontentamento. As comunidades perdem a sua identidade e o público é infantilizado por forças que não controla, que lutam para que tudo fique na mesma ou, no máximo, mude de forma extremamente gradual.

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publicado às 18:40




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