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Antes disso, éramos deuses

por Luís Naves, em 16.12.14

Há crises que fermentam silenciosamente e, de súbito, torna-se estranho que não tivéssemos dado por elas. O preço do crude continua a cair de forma espantosa. Seria boa notícia, mas parece que desta vez não é, por causa do pânico nos mercados, que estão sempre em pânico, como se o medo fosse a sua autêntica natureza. As bolsas caem e o rublo afunda-se. A Rússia fazia ameaças de guerra, agora parece que se vai tornar num deserto de capitais. Ninguém compreende: um grupo de fanáticos atacou uma escola em Peshawar (lembro-me bem de Peshawar, uma cidade amedrontada) e matou mais de 140 alunos. O ataque matou ou feriu 3 em cada 5 estudantes desta escola militar e morreram também professores. Algumas crianças foram degoladas pelos terroristas. Nem o fanatismo explica.

Num programa de divulgação científica dizia-se que podia haver super-Terras em outros sistemas solares, com melhores condições para a vida do que a própria Terra, que consideramos o lugar ideal. Enfim, sendo uma teoria, podemos pensar, ligando os pontos: aqui, a vida agarra-se com relutância, as espécies desenvolveram-se com sentimento de precariedade. Tudo é frágil, podemos dizer assim, o sistema solar pouco adequado, o planeta demasiado pequeno e com excessivas flutuações de clima, a civilização periclitante, nas fronteiras da extinção, pouca água, efeito de estufa, campo magnético destinado a enfraquecer, uma espécie inteligente com problemas de inteligência. Recuando 400 anos, estávamos no centro do universo. Antes disso, éramos deuses.

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publicado às 19:15




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