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Ansiedade

por Luís Naves, em 11.05.16

Lendo jornais antigos, de 1974 ou 1975, descobrem-se pérolas de jornalismo provinciano, com títulos sobre organizações europeias em crise, dizendo que tudo ameaçava ruir por causas comerciais obscuras. Compreende o leitor contemporâneo que estes alarmes permitiam desviar a atenção das loucuras nacionais e eram escritas por jornalistas que não compreendiam a importância do projecto europeu para os países que o integravam. O facto é que as coisas mudaram, e é o ponto é que as crises europeias são hoje diferentes das antigas. As intenções da Alemanha deixaram de ser claras e parece que Berlim hesita entre a construção de um núcleo duro dominado pelos alemães e a manutenção de uma Europa alargada onde o seu poder se dilui. O euro não pode ser mantido por todos os países, mas também não pode ser desfeito sem criar devastação económica. A crise migratória ameaça estilhaçar as sociedades europeias, mas também não é possível abandonar os refugiados e deixá-los morrer às mãos dos seus facínoras. Há um choque frontal entre soberania e solidariedade, entre os intelectuais e os seus leitores. A Rússia tenta explorar as fraquezas, as reformas económicas parecem impossíveis, os partidos extremistas continuam a crescer, o terrorismo anda à solta e a ansiedade dos trabalhadores em relação ao futuro é óbvia.

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publicado às 11:24




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