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Anestesia geral

por Luís Naves, em 13.02.15

A política vive do drama, as notícias preferem o protesto, mente-se por razões tácticas, apreciamos o espectáculo das contradições e das anomalias sociais, das situações irregulares e da violência. Ninguém quer saber de uma boa notícia. O funcionamento em rede causa uma privação temporal que torna difícil resolver as pequenas perturbações da existência ou as grandes crises da época. Já não há tempo para pensar ou para agir. Dito de outra forma, o tempo deixou de ser nosso, pois somos interrompidos pelo excesso de informação e por mensagens irrelevantes, incapazes do pensamento profundo, como se caminhássemos para um estado permanente de défice de atenção. As certezas antigas diluem-se no pântano da ambiguidade. Os dirigentes políticos perderam o luxo dos planos a médio prazo, pois evoluem na voragem da mudança rápida e do encurtar dos ciclos do poder. Além disso, eles parecem incapazes de controlar uma imagem pública coerente, de mobilizar o eleitorado ou de influenciar as alavancas que influenciam os acontecimentos. Já não há estadistas como antigamente, dizem alguns, mas foram os anos e os dias que encurtaram, não as pessoas. O ritmo desta civilização é outro, foi essa a grande mudança. Para o perceber, basta observar a política europeia: as decisões surgem em momentos cada vez mais curtos e claustrofóbicos, o dilúvio de informação contraditória conduz as várias forças em conflito a percepções do interesse comum cada vez mais afastadas.

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publicado às 12:36




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