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Andar na linha

por Luís Naves, em 15.04.16

Os defensores de António Costa têm cada vez mais dificuldade em explicar o que está ele a fazer de diferente. Os partidos de esquerda ensaiam críticas em público, apoiam por enquanto com paciência, mas terão cada vez mais problemas quando explicarem aos seus militantes o que distingue Costa de Passos. Começa a ser intrigante por que razão não houve bloco central, como sugeria o resultado das eleições de Outubro.

O governo minoritário do PS começou por prometer anular as reformas da coligação de direita e ensaiou um conflito com Bruxelas, mas a imediata subida das taxas de juro acabou com essas veleidades socialistas. Em todos os assuntos irrelevantes há uma ruidosa e triunfal maioria de esquerda, que também parece existir na distribuição de lugares, mas quando as contas se complicarem, será o bloco central a executar as políticas impopulares exigidas pelos credores. Nos momentos difíceis, os nossos governantes são actores secundários e a soma de partidos não é linear.

Quando for necessário, haverá maioria no parlamento, estabilidade para evitar o segundo resgate ou para salvar a banca, mas não será provavelmente a maioria de esquerda. A política de hoje é um vago teatro sem ideologia, é andar na linha. A taxa de crescimento prometida era fantasiosa, a conjuntura externa está a piorar, as previsões económicas são cada vez mais sombrias. Não haverá falta de explicações para as medidas de austeridade, independentemente do nome que a propaganda lhes puser: azar do costume, medidas de estabilização, plano genial de salvamento dos aflitos.

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publicado às 18:45




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