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Anacleta

por Luís Naves, em 18.10.18

O romance Mistérios de Lisboa contém uma deliciosa novela de 50 páginas entre os capítulos VIII e XV do segundo livro, uma história autónoma sem título, enfiada a meio (estou a ignorar o epílogo nos capítulos XVI e XVII, que faz a ligação às narrativas seguintes). Trata-se de um crime perfeito, devidamente castigado pelas forças do destino na pessoa de uma inocente, mas o que mais me interessou foi a personagem principal, Anacleta, figura rara em Camilo, a contrariar a tendência do escritor de criar mulheres mais parecidas com jarrões chineses, vítimas inocentes ou loucas. Sensual e determinada, inteligente e corajosa, Anacleta também é maléfica, mas toda a maldade vem das suas violentas paixões. A novela é quase policial, podia ter sido o primeiro exemplo do género na literatura portuguesa, caso CCB tivesse explorado a investigação do crime, apenas aflorada.

publicado às 19:01


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