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Amar

por Luís Naves, em 29.11.14

O que amamos noutra pessoa é sempre tudo e, portanto, também as suas múltiplas imperfeições. Ao amarmos uma filha, um pai, a nossa amante, vemos constantemente os defeitos de quem amamos e em nada se altera essa incondicional entrega, como bem sabemos quando o amor desaparece ou morre e todos esses defeitos são de repente demasiado óbvios. Como era possível que antes não víssemos as falhas? É fácil amar o que parece perfeito, demasiado fácil, mas a existência encontra-se sempre repleta de estorvos, também de breves momentos de esplendor e de pequenos vislumbres do divino. Não existe apenas o belo, que não faz sentido sem a existência do feio. A vida é impossível sem a transformação da morte. Não há prazer sem dor e aquilo que está ordenado tende para a perfeita desordem. É por isso que amar é também sofrer, pois a perfeição não existe, não passa de ilusão, de um embevecimento, algo de temporário que nos atordoa, criando uma velatura em torno do objecto amado e das seus múltiplas deformações.

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publicado às 18:31




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