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Alexandra Lucas Coelho

por Luís Naves, em 20.12.14

Muitos acham que escrever sobre sexo é inútil, dada a facilidade com que se cai na pornografia e no mau-gosto. Apesar de vivermos numa sociedade supostamente sem restrições, na literatura portuguesa tem havido poucos exemplos de textos que entrem no território das cenas explícitas de sexo, pelo menos que o consigam fazer com estilo, havendo também tradição de pudor no uso do vernáculo popular mais básico. Em resumo, dizemos as palavras, mas não as escrevemos. No seu mais recente romance, O Meu Amante de Domingo, Alexandra Lucas Coelho foge a este fingimento e concilia a linguagem da raiva com o sentido trágico da vida. Neste livro irrequieto, sobre a desilusão amorosa e o nosso constante confronto com a verdade, a autora tem a coragem de usar abundantemente o verbo foder, entre outras palavras do quotidiano que não costumam ascender à dignidade da literatura. Fuck é banal nas literaturas anglo-saxónicas, joder é normal nas de língua castelhana. Assim, a provocação faz sentido, como fazem sentido as cenas explícitas de sexo, sem que isso pareça artifício decorativo ou truque sensacional. Este livro ousado é uma homenagem à literatura brasileira, também um romance excessivo, de uma dureza sem compromissos, sem dúvida o tipo de obra que exige um autor com maturidade, como procuro explicar aqui de forma mais detalhada.

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publicado às 19:00




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