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Albano Matos (1955-2014)

por Luís Naves, em 18.02.15

Jornalistas como o Albano Matos eram fundamentais nas redacções, por serem intelectuais autênticos, por pensarem pela sua cabeça e por saberem pensar. Estas pessoas tinham conhecimentos, referências e memória, mas em certo ponto a palavra intelectual começou a ganhar uma conotação negativa, até se tornar numa espécie de insulto. Os jogos de poder e a ascensão burocrática nunca se comoveram muito com a escrita de qualidade, com as crónicas que brilham nem com textos que possuam verdadeiro conteúdo, sentido de humor e independência de espírito. O Albano tinha tudo isto e escrevia verdadeiramente bem; quando falava, as pessoas à volta ouviam o que ele dizia. Foi sempre muito respeitado, pelo menos até chegar o tempo em que já não encaixava. Assisti a uma parte da sua triste passagem pela prateleira e, felizmente, já não assisti ao injusto despedimento de que foi uma das vítimas. O Albano que prefiro lembrar tinha sempre opiniões fortes, embirrações e teimosias bem argumentadas, mas sobretudo cultura sólida, magníficas conversas e prosas a roçarem a perfeição. Muitas vezes, ele escrevia já de noite, quase a atrasar a edição, muito concentrado; ninguém o interrompia e era um gosto ler os seus textos no dia seguinte e pensar assim: “Quando é que eu vou conseguir fazer isto?”

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publicado às 18:26




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