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Agonia da Grécia

por Luís Naves, em 14.04.15

Perante a agonia da Grécia, é inverosímil o argumento de que estamos perante um colossal erro alemão. Em boa verdade, o governo grego, liderado por um partido radical, não pode apresentar aos seus parceiros um plano credível de reformas (subida do IVA, privatizações, cortes nas pensões). Se o fizer, perderá imediatamente o poder. A margem de manobra já era estreita e está a esgotar-se a cada dia. Atenas não tem dinheiro para pagar salários e pensões e, apesar dos desmentidos, dificilmente cumprirá os compromissos internacionais previstos para as próximas semanas. Na realidade, o Syriza conseguiu hostilizar os parceiros e nunca foi credível. Talvez obtenha um acordo de última hora, talvez acabe por sair do euro, a única forma de aplicar o seu programa radical, mas esta seria uma calamidade para os gregos. O euro tem um problema estrutural, a ausência de união política que permita transferências directas entre ricos e pobres. Assim, o que cada país fizer de errado afecta os outros. Com esta deficiência, cresce a tensão entre democracia e interesse colectivo, pois pode não ser possível a um governo eleito cumprir o seu programa eleitoral, caso a aplicação desse programa resulte em consequências graves para os outros. O que nos leva a uma questão mais séria: a democracia inclui governos eleitos que mentiram ao seu eleitorado sobre o contexto externo? 

publicado às 14:11




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