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Adereço ou tradição

por Luís Naves, em 02.12.14

Num mundo onde o novo tapa depressa aquilo que lhe é anterior, existe em simultâneo uma tensão constante entre o passado como adereço sem valor ou o passado como tradição em declínio. Isso é bem visível nesta história com final feliz, em que um quadro desaparecido se escondia no cenário de um filme infantil. Aquilo que para uns não passa de pechisbeque decorativo, para outros é a grande beleza. A propósito disto, muitas vezes surgem sentenças apressadas, de preferência em inglês, sobre quem tenta inovar sem fazer tábua rasa do passado, merecendo em troca apenas incompreensão e desprezo. Olhar para o antigo e para a tradição choca com a cultura do efémero, representada aqui pelo cinema industrial de pipocas. Isto não se aplica apenas à arte, bem evidente, mas a tudo o que é contemporâneo: sem a sensação de continuidade, de que a cultura é uma acumulação lenta de ideias, iremos sempre redescobrir a pólvora e reinventar a concavidade da colher, repetindo erros e insistindo em becos sem saída. Estando particularmente americanizada, muitas vezes com leituras anti-europeias simplificadas, certa elite portuguesa tende para a defesa da arte decorativa e para a hostilidade saloia a toda a inovação que não seja fogo de artifício. Na sua opinião, a tradição e o clássico são adereços descartáveis, que se esquecem em três tempos.

publicado às 10:56




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