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Expulsões

por Luís Naves, em 29.01.16

Na crise migratória europeia não há apenas refugiados. Alguns comentadores resistiram ao uso da palavra ‘migrantes’, dizendo que tinha carga ideológica. São refugiados, dizia-se, por isso deve ser usada apenas essa palavra. Ontem, a Suécia anunciou que poderá expulsar 60 mil a 80 mil migrantes, e algumas notícias mostram que o fenómeno não foi compreendido entre nós, escrevendo-se que estão a ser expulsos refugiados, algo que seria crime e não corresponde à realidade. A Suécia não deixou de cumprir as leis internacionais e expulsa pessoas que não têm direito a asilo, com origem em países que não estão em guerra.

A opinião pública portuguesa foi submetida a uma versão da história que torna difícil assimilar alguns dos problemas criados pela crise migratória. Há questões de segurança, choques culturais que ameaçam alterar a própria identidade europeia, estão a surgir também graves divisões sociais e políticas nos países mais generosos. O número elevado de migrantes e refugiados provocou reacções de descontentamento em países como Alemanha, Dinamarca ou Suécia, o que beneficia partidos populistas que exigem limites.

Em 2015, a Europa recebeu mais de 1 milhão de pessoas, que têm de ser alojadas, alimentadas e integradas na sociedade, mas em Portugal continuam a dominar as teses politicamente correctas, sobretudo a ideia simplista de que a Europa está a falhar por falta de generosidade, quando ocorre o caso inverso. É evidente que a Suécia não pode receber em cada ano 150 mil pessoas (1,5% da sua população) e a rejeição dos migrantes económicos era uma questão de tempo, pois nem sequer há mais casas disponíveis. Segundo números oficiais, só no terceiro trimestre do ano passado, a Suécia recebeu 42 mil pedidos de asilo, ou 4360 por milhão de habitantes; no mesmo trimestre, Portugal recebeu 220 pedidos, 22 por milhão de habitantes.  

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publicado às 13:00




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