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A propósito da revolução

por Luís Naves, em 25.04.15

O 25 de Abril acabou com uma guerra colonial que Portugal não podia vencer, proporcionou a existência de opiniões livres, permitiu a adesão às comunidades europeias. Sem liberdade e democracia, não estaríamos na UE e a evolução do país teria sido diferente, para pior, pois recebemos anualmente subsídios europeus equivalentes a uma média de 3% do PIB, isto durante 30 anos. Em apenas quatro décadas, Portugal conseguiu aquilo que outros países europeus fizeram num século. Em 1974, a proporção de analfabetos era de uma em cada quatro pessoas, agora é de 5%; o número de alunos no ensino secundário passou de pouco mais de 60 mil para quase meio milhão. Em 1974, metade das residências tinha água canalizada, agora é quase a totalidade. A esperança de vida à nascença aumentou dez anos e a mortalidade infantil era dez vezes mais elevada do que agora. Em 1974, um terço da população activa trabalhava na agricultura; agora, a proporção é inferior a 10%. No mesmo período, o PIB per capita duplicou em termos reais. O Portugal de hoje (mesmo a sair de uma crise) não tem nenhuma semelhança com o país tristonho e pobre de 1974. A sociedade sofreu uma alteração radical, o império é uma memória, as pessoas gozam de amplas liberdades e a democracia é indiscutível. Alguns dizem que não há debate político e que Portugal se desenvolveu à custa da dívida, quando é evidente que as razões do desenvolvimento são outras, que a dívida é recente e que não há dissidentes ou presos por delito de opinião.

No fundo, a direita e a esquerda têm discursos parecidos em relação à Revolução de 1974: ambos consideram que se tratou de um fracasso. A esquerda acha que as ideias iniciais foram atraiçoadas, que a utopia nunca se cumpriu. A direita pensa que as promessas não estão concretizadas, que o novo regime devia ser mais liberal, embora os portugueses tenham escolhido assim.

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publicado às 20:09




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