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A luta pela flexibilidade

por Luís Naves, em 20.02.16

A União Europeia mudou ontem de forma fundamental. Na prática, o Reino Unido garantiu o direito de não avançar com certas políticas comunitárias sem negociar contrapartidas. O primeiro-ministro David Cameron referiu-se a um “estatuto especial” para o seu país, mas já existia no jargão europeu um termo para designar o que acabou por ser adoptado: Europa à la carte. É cedo para avaliar todos os efeitos, mas é natural que a UE se transforme gradualmente numa organização mais complexa, a várias velocidades, contendo Estados que avançam depressa na integração e outros países que preferem maiores cautelas, escolhendo as políticas que lhes convêm. Com a passagem do tempo, as periferias vão afastar-se do centro, também porque o centro tem agora a liberdade de avançar mais depressa. Para já, a Europa evitou um processo traumático de fragmentação, mas o federalismo não se aplicará a todos, o que permite lento reaparecimento das antigas rivalidades nacionais. Cameron vai lutar pelo “sim” no referendo sobre a manutenção do Reino Unido na UE. Será uma luta difícil, pode ainda ocorrer o Brexit (a saída do Reino Unido), mas isso é menos provável. No fundo, não existe agora nenhuma razão objectiva para os britânicos votarem a favor da saída, pois Cameron obteve cedências improváveis, desmentindo os que sempre o subestimaram, desmentindo também aqueles que afirmam não haver líderes europeus à altura dos problemas.

publicado às 13:24


1 comentário

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De Afonso Valverde a 21.02.2016 às 10:35


Bem, os ingleses obtiveram um estatuto especial... Isto é o fim de da ideologia que mobilizava as massas para aderirem à UE. Agora o que vai acontecer? é convocado bruxo de Fafe para marcar o caminho...
A Europa sempre esteve a várias velocidades, quanto ao desenvolvimento, apenas se pintava a realidade de outra forma. Para mim não há mal nenhum estar-se, na Europa, a várias velocidades. Os Povos decidem do seu futuro e cada um saberá melhor adaptar os recursos e negociar com quem quer ou for possível.
Pela minha parte, uma vez que o federalismo terminou ou levou um "murro no estômago", optarei sempre por opções políticas que nos tirem do € e da tal EU.
Olhe que não sou comunista nem um perigoso esquerdista e muito menos um saudoso salazarista.
Quem nos metem nesta barca deveria esforçar-se por nos tirar de lá.
Os ingleses sempre foram assim ao longo da história. Maximizam os proveitos, quando têm de contribuir saem e alijam responsabilidades. Nós bem os conhecemos....

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