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A lenta federalização da Europa

por Luís Naves, em 10.05.15

A ideia de uma Europa federal parece cada vez mais afastada, dada a dificuldade política da sua execução e a hostilidade frontal dos eleitorados, mas é curioso notar que persiste a tendência para a federalização da Europa, através da fragmentação progressiva das principais unidades nacionais (basta pensar na Escócia, na Flandres ou na Catalunha). Parecem triunfar nas sociedades europeias versões baseadas no modelo alemão, com ênfase na democracia exemplar a todos os níveis, do supranacional à ínfima região, mas também nos movimentos cívicos e nas próprias empresas. Trata-se de um capitalismo onde as empresas não têm apenas a missão de gerar lucro para os accionistas, mas devem também cumprir um papel social, o que justifica o seu direito a apoio público. O capital pós-crise ganha desta forma uma dimensão moral e está também ao serviço do melhoramento da sociedade. Neste contexto, torna-se desnecessário federalizar a Europa, pois os grandes países caminham para a sua fragmentação pacífica, enquanto o mercado comum e a uniformização das leis transcendem fronteiras e se alargam a todos os domínios do consumo e da vida pública. O Tratado Orçamental não precisa de união política, ou seja, de fiscalização por entidades supranacionais e uniformização fiscal, já que os mercados serão impiedosos para quem não o cumprir, endividando-se à custa dos parceiros. A Europa em formação será muito diferente da anterior, menos utópica, mais pragmática e transparente.

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publicado às 12:25




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