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A iminência do Brexit (3)

por Luís Naves, em 18.06.16

A Europa é hoje uma rede de interesses nacionais comuns cujo não cumprimento num caso implica a ruptura em todos os outros. Um país que resista a uma determinada política europeia condena-se ao isolamento e à perda de muitos outros interesses não contestados. Portugal ilustra bem o dilema: não quer fazer as reformas exigidas pelo princípio de contas externas e orçamentais equilibradas, previsto do Tratado Orçamental, e será obrigado a fazer essas reformas, com mais ou menos sacrifícios. Portugal não pode sequer sonhar numa saída da UE, pois perderia os fundos comunitários e o acesso ao mercado único, além de qualquer influência no seu destino. No fundo, só países ricos podem sair da UE, mas qualquer movimento nesse sentido será sempre pouco convicto. A saída do Reino Unido da UE até pode ter menos consequências do que se espera, mas a verdadeira crise existencial para os europeus será a eventual vitória de Marine Le Pen nas presidenciais francesas da próxima primavera, algo que provavelmente conduzia à ruptura do eixo franco-alemão. As sondagens sobre o referendo britânico sugerem a profunda divisão do eleitorado, pelo que o resultado final será tangencial e insatisfatório. Uma pequena vitória do Brexit iniciará uma negociação de saída em que um dos lados está em posição de fragilidade; o cenário oposto dará origem a um novo referendo dentro de alguns anos. Em ambos os casos, a dúvida obrigará a União Europeia a fortalecer a sua coesão e a tomar decisões difíceis que têm sido adiadas por falta de vontade política.

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publicado às 11:39




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