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A guerra na encruzilhada

por Luís Naves, em 28.08.14

No conflito ucraniano, a Rússia tenta alterar a ordem internacional que resultou do fim da Guerra Fria, aliás como tentou, nos anos 20 e 30, perturbar a configuração que resultara do Tratado de Versalhes. Mas este é um guerreiro em dificuldades, que não pode ultrapassar certos limites e que se arrisca a uma derrota lenta. Sendo um império em declínio, com grave crise demográfica e gritante fraqueza económica, a Rússia precisa de atingir depressa os seus objectivos.

A Ucrânia é um país dividido. Moscovo considera que faz parte da sua zona de influência e tentará impedir a aproximação do vizinho à União Europeia ou à NATO, sobretudo à segunda organização. Com instituições frágeis e democracia débil, a Ucrânia pode ser cortada às fatias ou pode sobreviver com soberania limitada. Qualquer das opções resultará em mais fragilidade, sendo difícil curar as feridas.

A União Europeia, por seu turno, é um império de novo tipo, que respeita os direitos humanos e a vontade popular. Não tendo ambições territoriais, também não sente ameaças externas. Com instintos pacifistas, é demasiado forte economicamente para ser vítima de intimidação, mas demasiado fraca politicamente para dissuadir tentativas de intimidação. Neste drama há outra personagem decisiva: a potência hegemónica, EUA, que olha com desagrado para o desafio russo à ordem internacional. Os americanos podem aceitar o desafio da segunda Guerra Fria, impondo desta vez condições de paz ainda mais desfavoráveis para o derrotado; no entanto, quem está em posição hegemónica tem pouco incentivo para arriscar, logo mais vale tentar sanções económicas e, aqui, estamos a falar de 40% do PIB do planeta (europeus e americanos) contra 3% (Rússia).

 

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publicado às 12:45




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