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A grande estagnação

por Luís Naves, em 19.01.15

Encontrei pela primeira vez a ideia em O Capital no Século XXI, o influente e controverso livro de Thomas Piketty. O autor tentava explicar que as elevadas taxas de crescimento económico que se verificaram ao longo do último meio século não são sustentáveis a prazo, pois a acumulação contínua de valores anuais que nos parecem modestos tornam-se astronómicos em cem ou duzentos anos. Vale a pena conhecer os números que Piketty cita sobre o crescimento económico a partir de 1700. A produção mundial por habitante terá aumentado a um ritmo de 0,8% ao ano, mas este valor, que nos parece tão reduzido, originou um espantoso progresso material. Entretanto, houve uma aceleração: entre 1913 e 2012, a taxa anual foi de 1,6% e, entre 1950 e 1980, a mesma taxa atingiu uns extraordinários 2,8%. Se isto se mantivesse por cem anos, a riqueza per capita de 1950 seria dez vezes superior em 2050, resultado de todo improvável, pois não há recursos materiais suficientes. A criação de riqueza está a abrandar, devido a vários factores, incluindo o menor crescimento proporcionado pelas novas vagas de inovação.

Em Scientific American encontra-se um texto que, citando o antigo secretário do Tesouro norte-americano, Larry Summers, diz mais ou menos o mesmo. As inovações dos anos 30, a Segunda Guerra Mundial e o baby boom proporcionaram anos de crescimento rápido, mas as tecnologias de informação não precisam de muito investimento e criam pouco emprego. Assim, podemos ter entrado num período a que Summers chama a ‘grande estagnação’, com taxas de crescimento baixas, inferiores a 1% ao ano, mas que acumuladas ao fim de cem anos podem dar origem ao enriquecimento significativo de uma população estagnada ou em queda.

publicado às 12:03




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