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A grande clivagem

por Luís Naves, em 25.05.15

A direita espanhola sofreu ontem uma profunda derrota, recuando em todas as regiões e cidades. O resultado do Partido Popular (27% e menos 10 pontos percentuais) é demasiado curto, com a provável perda da capital e outras vitórias magras em autonomias onde a maioria relativa será insuficiente para formar governo. A esquerda conquistou feudos do PP, que apenas persistirá na crucial região de Madrid se conseguir uma aliança com os centristas de Cidadãos.

A eleição foi o prelúdio de um campeonato mais complexo, que terá a grande final em Novembro. O bipartidarismo acabou em Espanha, mas formam-se dois blocos, um de conservadores e centristas e outro de socialistas e esquerda radical. Ao contrário do que aconteceu em Portugal, onde as forças mais à esquerda se dividiram em micropartidos incapazes de alianças entre si, o caso espanhol parece apontar para a formação de uma frente de esquerda (embora sem comunistas, que quase desaparecem). O Podemos, que comanda movimentos de indignados, conquistou Barcelona e talvez Madrid.

Apesar de tudo, PSOE aliado a radicais é uma combinação diferente da tradição e que pode assustar eleitores moderados, para mais quando em Madrid e Barcelona os socialistas são uma força menor e tocam nos segundos violinos. Com o centro perdido, rejeitado pelos descontentes e as vítimas da crise, o PP luta pela sobrevivência e deverá por sua vez acentuar a clivagem da sociedade espanhola entre o bloco conservador que procura aliados ao centro e a frente unida, cuja abrupta viragem à esquerda ameaça a estabilidade da recuperação económica.

Este é, no fundo, o grande conflito da Europa contemporânea: a necessidade do eleitorado escolher entre moderação ou radicalismo, entre reforma e ruptura, entre consenso ou fragmentação. Viu-se no Reino Unido, na Grécia e na Polónia. Vamos falar nisto mais vezes.

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publicado às 13:27




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