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Fragmentação partidária

por Luís Naves, em 23.02.15

A política tornou-se crispada e os partidos gastam cada vez mais dinheiro para conquistar uma proporção menor de um universo eleitoral crescentemente fragmentado. Os eleitores dizem que não gostam dos seus políticos e de facto ninguém é eleito a prometer a continuidade, é preciso prometer uma mudança qualquer. As sociedades europeias convergem numa amálgama onde se esbatem as diferenças. Desapareceram os debates ideológicos e discute-se apenas a dose do remédio, num ambiente onde triunfam a frivolidade e o previsível.

Acontece que os europeus não encontram à sua volta nenhuma ameaça existencial séria, apesar da crise da Ucrânia, onde são meros espectadores, ou da ascensão do Estado Islâmico, cujo desafio ao Ocidente, com toda a sua brutalidade, não tem qualquer hipótese de triunfar. Por isso, nos últimos três anos, os políticos têm concentrado a sua atenção em questões financeiras, sobretudo na estabilização da zona euro. Esta preocupação é mal compreendida pelo público, pois poucos entendem as vantagens potenciais de tal exercício. Não existindo ameaças e sendo o problema de base pouco evidente, fazer reformas em pouco tempo e contra interesses instalados abre fissuras entre países e clivagens entre as classes.

Desiludidos com as políticas centristas, os eleitores procuram novas ideias: os partidos tradicionais que construíram esta Europa perdem votos a favor de formações independentistas, radicais ou até com discurso nacionalista. No futuro, havendo mais governos constituídos por coligações instáveis, a tendência aponta para debates europeus contaminados pela política interna dos países. Estamos a assistir a isso na crise grega. A fragmentação partidária e o aparecimento de novas formações pode ser vantajosa para a democracia, pois as minorias estarão mais representadas, mas também aumenta o risco de divergência nas políticas europeias, sem que haja mecanismos institucionais suficientemente flexíveis que permitam harmonizar, por exemplo, a vontade de um país de abandonar a união monetária.

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publicado às 17:56




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