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Momento decisivo

por Luís Naves, em 09.02.15

 

Esta semana, a zona euro viverá um momento crucial, onde será definido o futuro da união monetária. A propósito da crise grega, os líderes terão de responder a uma série de questões: pode um país sair do grupo? Quando uma dívida é insustentável, os outros pagam a conta? Por que razão teriam os portugueses de pagar pelos erros dos políticos gregos, para além de estarem a pagar os erros dos seus próprios políticos?

Após várias versões, sempre muito elogiadas pelos comentadores, a Grécia apresentou um plano que visa convencer a Europa a aprovar um empréstimo intercalar, para adiar uma resolução até ser concluído um plano de reestruturação da dívida. Entretanto, não se aplicavam as medidas de austeridade. O plano grego pode ser descrito assim: não queremos dinheiro ligado ao resgate, queremos dinheiro incondicional, só depois conversamos; prometemos cumprir as regras, mas nas calendas gregas; até lá, não cumprimos.

Se isto fosse aprovado, só os gregos ganhavam. Para os outros países, as consequências seriam desastrosas. O euro perderia credibilidade e nenhum Estado membro teria motivos para cumprir o Tratado Orçamental. Os efeitos políticos levariam, a prazo, ao estilhaçar da UE. Nos países resgatados, os respectivos governos teriam mentido aos eleitores. Afinal, era possível acabar com a austeridade e expulsar a troika, renegociar a dívida e não pagar. Países como Alemanha ou Finlândia seriam forçados a pagar as dívidas de países terceiros, mas sem controlarem as condições dessa ajuda ou sem poderem mudar as elites políticas corruptas e incompetentes dos devedores. Tudo se invertia: os credores não teriam maneira de impor rigor orçamental aos deficitários e estes podiam exigir aos credores o perdão das suas dívidas. Na crise seguinte, os resgates seriam impossíveis. Os países mais competitivos teriam forte incentivo para abandonar a zona euro. Se as exigências gregas forem aceites, a própria Alemanha acabará por sair. 

Para evitarem uma Europa liderada pelos alemães, os críticos da austeridade teriam uma espécie de ‘Europa’ sem a Alemanha. Uma aberração, portanto.

 

O texto desenvolvido está aqui.

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publicado às 20:07


1 comentário

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De cheia a 09.02.2015 às 20:41

Está provado, que a política do empobrecimento, só beneficiou a Alemanha, po
rque a América e os países que não pertencem ao Euro, não só não empobreceram, como estão a recuperar.

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